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Manifesto do Silêncio Orgulhoso (ou: Manual do Bom Cidadão Domesticado)

  • temisciraartedigit
  • 6 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de mar.

Declaro, com todo respeito que já não nos resta,

que exigir direitos no Brasil é um hábito deselegante.

Quase uma grosseria social.


Afinal, para que criar constrangimento? Para que fazer perguntas? Para que ler contratos, leis ou avisos em letras miúdas, se o silêncio sempre funcionou tão bem?


Fomos educados para isso. Desde cedo aprendemos que quem reclama “arruma problema”, que quem questiona “não vai longe”, e que justiça é um conceito bonito, desde que fique bem longe da nossa rotina.


Quando um advogado engana, é azar. Quando um banco cobra o que não deve, é sistema. Quando um político rouba, é política. E quando um parente passa a perna, bem… família é isso mesmo.


O medo, esse grande educador nacional, faz o serviço completo. Às vezes vem em tom professoral: “Você não entende seus direitos.” Às vezes vem direto ao ponto: “Cuidado com o que você fala.”


Funciona. Sempre funcionou.


Assim, construímos com orgulho uma prisão sem grades, sem algemas, sem carcereiros visíveis. Basta o medo bem distribuído e a resignação em dia.


Agora, um momento de matemática básica — não se assustem. Cerca de sessenta e poucos brasileiros concentram bilhões. O 1% mais rico detém quase tudo. Os outros 99% detêm o quê? Medo. Muito medo. E uma incrível capacidade de aceitá-lo como destino.


Somos maioria absoluta. Mas nos comportamos como figurantes. Pagamos impostos, sustentamos o Estado, mantemos a máquina funcionando e ainda ouvimos, com naturalidade, que somos empregados.


E talvez sejamos mesmo. Não por lei. Por comportamento. Aceitamos. Aplaudimos. Voltamos para casa. E seguimos repetindo que “não adianta”.


Enquanto isso, a língua muda. As palavras perdem sentido. Exploração vira ajuste. Abuso vira interpretação. Injustiça vira narrativa. E tudo fica mais fácil quando ninguém reage.


Este manifesto não é um convite à revolução. Seria pedir demais. É apenas um lembrete incômodo: direitos não se perdem de uma vez. Eles são abandonados, um silêncio de cada vez.


Então sigamos assim, quietos, educados, prudentes. Até que nossos filhos e netos herdem um país impecavelmente injusto, bem organizado, e totalmente normalizado.


Porque, no fundo, o problema nunca foi a falta de direitos. Foi o excesso de medo de usá-los.


Como podemos mudar essa realidade? A primeira coisa é reconhecer nossos direitos! É fundamental saber que temos voz. E que podemos, sim, exigir o que é nosso por direito.


Não é fácil, eu sei. Mas é necessário! Precisamos nos unir e lutar por um mundo mais justo. Um mundo onde o medo não nos impeça de agir.


E você? Está pronto para fazer a diferença? Vamos juntos transformar essa realidade!



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