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A Nobre Arte de Distorcer a Lei: Um Hino à OAB

  • temisciraartedigit
  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

Oh, saudações, caros e ingênuos leitores! Espero que estejam radiantes de felicidade neste maravilhoso mundo jurídico que nos cerca. Eu, por minha vez, estou simplesmente estupefata – sim, com “t” mesmo, porque a situação exige um preciosismo gramatical que a realidade insiste em não ter.

Parece que caí num episódio particularmente psicodélico de Caverna do Dragão. Aqui estou, vagando entre os mortos-vivos da razão, ao lado de Uni e sua trupe, enquanto o Mestre dos Magos e o Vingador – agora devidamente reconvertidos em cúpula da Ordem dos Advogados do Brasil – tecem suas tramas arcanas. E que tramas! Transformar o conceito de “justiça” numa partida de xadrez 4D, onde as peças são seres humanos e o único lance permitido é o xeque-mate na ética.


Ah, o juramento! Que peça literária sublime. “Prometo... pugnar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia.” Quase chorei de emoção. Eu, em meu delírio utópico, jurava que “valorização da advocacia” significava “valorização da justiça”. Que tolice! Agravei em letra gótica meu equívoco.


Vejo agora, com os olhos desvendados pela cabeçada no cavalo da ingenuidade, que os princípios da OAB são, na verdade, um código secreto. Traduzo para os leigos:


“Defender os princípios da OAB” = defender o direito inalienável do advogado de argumentar que “é só um cachorro”, que um reality show é tribunal e que ser “branco e classe média” é a maior vítima do século.


“Exercer com dedicação e ética” = dedicar-se com unhas e dentes a encontrar a brecha, a vírgula suspeita, o precedente obscuro que liberte o confesso, absolva o flagrado e transforme o crime hediondo num mero deslize de percurso.


A Justiça, essa dama outrora vendada, agora parece fazer striptease na esquina mais movimentada do país, enquanto a OAB bate palmas e passa o chapéu. “Direito à defesa” – lindo conceito! Pena que, na prática, tenha se metamorfoseado em “direito à distorção”. O bandido confessa, a prova grita, a sociedade se assombra, e eis que surge o advogado, “dos bons, o melhor do planeta”, para, num passe de mágica digno do Mestre dos Magos, transformar culpa em absolvição, barbárie em detalhe, e o cárcere em uma mera sugestão.


E o ápice do espetáculo: a lei não é mais a letra clara, mas a interpretação do juiz. Magnífico! Por que ter segurança jurídica quando podemos ter surpresa jurídica? Por que ter uma constituição estável quando podemos ter um campeonato de criatividade forense? É o festival do “depende”, e a plateia, otária e pagante (de impostos), só pode assistir ao vivo, sem direito a replay ou recurso.

Então, respondendo à pergunta retórica que nem ousamos fazer em voz alta: a quem apelar? Ora, aos próprios magos, claro! Aos que controlam o tabuleiro. Talvez um dia tenham a elegância de, num rompante de franqueza barroca, gritar “que comam brioches!” para a população. Será o gesto final de cortesia, o aviso de que o jogo acabou e que a casa sempre vence.


Até lá, permanecemos aqui, na Caverna do Dragão tupiniquim, esperando a próxima jogada, o próximo feitiço, a próxima lei que se desmancha no ar como fumaça. E a OAB, lá no alto de seu trono de letras processuais, ri. Ri com a risada ecoante de quem sabe que, num país de interpretações mágicas, a única verdade absoluta é a impunidade dos bem-conectados.

Que show. Que tragédia. Que debauche jurídica. Magnífico.

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